16 de junho de 2012

O que a mãe escondia?

     Ao passar pela sala, ouviu vozes que vinham da cozinha, alguém parecia chorar. Ao se aproximar da porta ele ficou pasmo, era sua mãe quem chorava! 
     – Sempre achei que a senhora devia se casar, em vez de acalentar essa esperança – tia Zezé consolava-a.
     Fred entrou, as duas paralisaram-se.
     – O que aconteceu?
     Gilda olhou-o emudecida, Fred esperou, em seu rosto via-se aflição.
     – Foi um problema na escola. Não se preocupe – ela respondeu após instantes de grande tensão.     
     – Por que tia Zezé estava dizendo que você devia se casar?
     – Porque ela acha que, se eu tivesse me casado, não dependeria da profissão – explicou com firmeza, contudo seu olhar evitou o de Fred.
     Um silêncio constrangedor abateu-se sobre eles. Gilda assoou num lencinho de cambraia. Fred sentou-se defronte dela sem saber o que dizer. 
     Tia Zezé levantou-se. 
     – Esperem aí que eu vou passar um café.
     Fred não a escutou. Tentava compreender as imagens que se chocavam dentro dele: a mãe chorando, a mãe assustada, a mãe fingindo. A expressão das duas primeiras incomodava-o, a da fingida incomodava-o de modo diferente e muito mais. Aquela o deixava aflito, preocupado, esta o confundia e revelava que Gilda estava escondendo alguma coisa. "Eu sinto que sei o que é, mas esqueci... não completamente, ficou esse mal-estar.” 


Nota: Trecho do romance Enseada do Segredo. 

Um comentário:

Mary Villano disse...

Olá, tudo bem, ficamos felizes com sua visita e por vc ter encontrado no nosso blog um artigo interessante para o seu terceiro romance. Adoramos ter vindo aqui. Apareça sempre que puder.
Grande abraço.
Mary e Binho