21 de setembro de 2013

LIBERDADE NEGADA - Sinopse

Sara, onze anos, filha de um tenente-coronel do exército, vive feliz com sua família. Desconhece qualquer conceito de política, quando estoura o golpe militar de 1964.
Mas, através de uma prima mais velha da qual é muito amiga e de colegas que frequentam o diretório da escola, apreende informações acerca de política, filosofia e do que ocorre no país, de modo que passa ter uma ideia pessoal da realidade de então.
Aos dezessete anos, envolve-se com um militante da esquerda e comete um erro imperdoável aos olhos dos guardiões do regime, entre eles o seu pai, tenente-coronel do exército. Após alguns dias, percebe que, na escola, está sendo seguida por pessoas misteriosas. Às escondidas, a mãe e os tios enviam-na para outro país. Transcorrem quatro anos e meio.
Sara volta ao Brasil, conhece Fred, pai de um garoto de quem se torna professora. Começam a sair juntos. Numa ocasião, enquanto os dois conversam num bar, ela entra em crise de choro ao ouvir, pelo rádio, que um homem foi morto na prisão de um órgão da segurança militar. Fred hospeda-a em seu apartamento e a incentiva a contar o que a aflige de forma tão desesperadora. Sara relata uma longa história em que se misturam cenas do cotidiano, um grande amor, conflitos familiares, violência e morte.


NOTAS:
1. Leia este livro e o 'Enseada do Segredo' para saber detalhes e pontos fortes de ambas as historias que fazem parte de uma trilogia.

16 de setembro de 2013

Educar é, antes de tudo, conscientizar



Isto significa que conscientizar se insere em todo o processo educativo. Vejamos. Proponho que educar é envidar ações que levem o educando a tomar conhecimento e fazer uso das condutas necessárias a seu desenvolvimento físico; a reconhecer seus padrões construtivos e destrutivos e a lidar com eles de modo adequado; a distinguir seu papel nas relações interpessoais; a se tornar ciente de seus direitos e deveres no âmbito social; a perceber que o aprendizado intelectual é um instrumento imprescindível à aquisição da liberdade de pensar e da capacidade de fazer escolhas adequadas; por último, a se dedicar a este aprendizado.
Esta concepção de educar é apenas um detalhamento baseado numa definição do Aurélio, que diz: Educação é o processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social.
Se atentarmos cuidadosamente no que proponho como objetivos das ações educativas, veremos que a família tem um papel preponderante na consecução deles. Somente os dois últimos exigem a participação da escola, embora ela deva contribuir para que os demais sejam igualmente alcançados.
Ora, os pais, em sua maioria, não têm condições de cumprir todos os requisitos referentes a seu papel de educadores, pois não foram suficientemente educados. Se o filho bate em outra criança, eles se mostram compreensivos, caso contrário ficam furiosos. À noite, horário em que geralmente os membros da família têm oportunidade de interagir, uns se ocupam assistindo à TV, outros no computador. E assim segue a vida.
Se a criança chega à escola com pouca ou nenhuma educação doméstica, terá grande dificuldade de se adaptar ao novo ambiente, principalmente porque grande parte dos professores não está preparada para lidar com aluno difícil. É bom lembrar que os docentes podem também ter tido uma família incapaz de exercer satisfatoriamente o dever de educar. A coisa toda se complica ainda mais, quando um deles toma uma medida, às vezes correta, com a finalidade de corrigir uma conduta deseducada, e os pais do aluno em questão revoltam-se e o agridem. O prejuízo do professor será apenas o mal-estar, o do aluno será provavelmente jamais se tornar um verdadeiro cidadão.
Os efeitos das falhas no processo educativo alastram-se em toda a sociedade, vão até nossos governantes; muitos deles certamente vieram de lares e escolas que falharam neste aspecto. Como consequência, chafurdam no exercício da não cidadania e, portanto, não têm nenhum interesse em mudar tal situação.
Que fazer então diante desta realidade? Você deve estar perguntando-se, caso tenha tido a sorte de ser educado adequadamente. Difícil responder. Mas tenho sido assaltada por um sonho louco, no qual todos os verdadeiros cidadãos contribuem de alguma forma para educar pelo menos uma pessoa fora de sua família. No futuro deste sonho, nossos bisnetos são os pais, e o mundo é um lugar bem melhor de se viver.

MORGANA GAZEL,  autora de romances, poemas e contos.

NOTA: Artigo publicado no jornal A Tarde. Salvador – Quinta-feira, 19/7/2012. Imobiliário, página 6.



27 de agosto de 2013

ENSEADA DO SEGREDO – Sinopse


Fred reside com a mãe num subúrbio à margem de uma aprazível enseada. Tem dois amigos sinceros, conquista a garota sonhada, participa de jogos de futebol e vence um importante torneio de natação.

No entanto tem sonhos incompreensíveis e é invadido por devaneios que o deixam infeliz e ressentido. Isso parece indicar que há algo errado em sua vida! Ele pouco sabe do pai, de quem ficou órfão antes de nascer, o que conseguiu arrancar da mãe não o satisfaz. Também desconhece o que acontece no país por trás da aparente normalidade, somente ouve comentários acerca de desaparecimento de pessoas, os jornais nada noticiam.

Numa noite insone, resolve ir à cozinha tomar um copo de leite. Ao passar em frente do quarto da mãe, paralisa-se: ela chora e fala com alguém pelo telefone. Ao escutar uma frase clara e desesperada, sente-se atravessando um túnel que o leva de um mundo ilusório para um real de extrema crueldade, onde terá de enfrentar uma verdade inimaginável. Incapaz de suportar tal situação, abandona os amigos, a namorada, a enseada e vai embora para outro país.

Quando enfim se acostuma à condição de estrangeiro solitário, encontra uma carta sobre o tapete à entrada do seu quarto. Apalpa-a, sacode, com as mãos trêmulas, parece temer as notícias que ela lhe traz. E, de fato, a leitura deixa-o transtornado.

O que faria agora? Naquele instante, Fred não conseguia responder.


Morgana Gazel - autora 

9 de agosto de 2013

O escritor, seu papel e desejo


(Artigo publicado no jornal A Tarde, em 31/08/2013, caderno Classificados)

Prefiro começar pelo desejo, questão mais complexa, com frequência, irreconhecível até por quem o sente.
Alguns escritores dizem que, ao escrever, desejam apenas se expressar. Para que então publicar? Por que não guardar numa gaveta o fruto dessa expressão? Seria compreensível que o mostrassem aos amigos, como é comum pessoas fazerem quando adquirem ou produzem algo que consideram importante.
A discrepância, entre o que o sujeito diz e faz, denuncia que ele não sabe ou teme declarar o que se passa consigo. Plagiando a frase de Shakespeare, “Há mais coisas entre o Céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia”, ouso afirmar: Há mais coisas entre os sentimentos e sua não percepção ou não aceitação, do que supõe nossa vã filosofia. Neste caso, costumamos chamar as tais coisas de defesas inconscientes, das quais também dificilmente nos damos conta.
Quem quiser descobrir o que o leva a escrever precisa perscrutar-se cuidadosa e corajosamente. Talvez se depare com mais respostas além da corriqueira: expressar-se. Exemplo de algumas delas: entreter ou entreter-se de modo a aliviar as tensões cotidianas; ser compreendido, mostrando o que sente e pensa; ser admirado; ficar rico e famoso; ser reconhecido pela classe social mais intelectualizada; informar o que imagina que a maioria dos leitores desconhece; contribuir para a ampliação da consciência subjetiva e social; etc.
Quanto ao papel, observando os significados desta palavra no Aurélio, “atribuição de natureza moral, técnica, etc.” e “desempenho”, podemos pensar que se refere à forma que o escritor escreve e à sua ética. Ele tem um estilo próprio? Seus escritos são originais ou quase uma cópia de alguma obra atual bem-sucedida ou antiga e de domínio público? Notifica quando seu texto é baseado em outro ou numa situação real? Se seu produto é uma história, o narrador é honesto com o leitor?
O desejo, considerando-se o que foi dito acima, às vezes nem quem o sente consegue identificar, porém estas e outras perguntas podem ser involuntariamente elaboradas por qualquer leitor atento e com algum conhecimento literário, de modo que lhe salta aos olhos se o escritor cumpre ou não adequadamente seu papel.
Parabéns ao escritor que ao ler este artigo não se reconhece em nenhum dos aspectos, digamos, tidos pelo bom senso como negativos.


Morgana Gazel
Escritora e psicóloga
Autora de romances, poemas e contos.