20 de maio de 2013

MORGANA GAZEL conta:



O que acontecerá entre Fred, o protagonista do romance "Enseada do Segredo" e Sara? A resposta é quase impossível de se imaginar. Mas veja um pequeno esboço da história "Liberdade Negada", em que eles se encontram:
Durante a ditadura militar no Brasil, Sara, filha de um tenente-coronel do exército, envolve-se com um ativista da esquerda e é flagrada distribuindo panfletos que esclarecem o povo acerca do regime. Em consequência deste ato, é obrigada a fugir para outro país, onde recebe uma notícia tão terrível que, mesmo não sendo mais necessário, permanece no exílio durante quatro anos e meio. 
Mas a necessidade de esclarecer algumas questões íntimas obriga-a a retornar à sua terra. Então conhece Fred, pai de um garoto do qual, neste ínterim, ela se torna professora. Numa ocasião, enquanto os dois conversam num bar, entra em crise de pânico ao ouvir pelo rádio uma notícia sobre a morte de um homem na prisão. 
Fred acolhe-a de modo que Sara consegue contar o que lhe havia acontecido. Neste relato, misturam-se amor, estratégias perigosas para manter escondido um namoro impossível, conflitos familiares, violência, fuga e morte. 


NOTAS:
1. Leia o "Enseada do Segredo" e o "Liberdade Negada" para saber detalhes e pontos fortes de ambas as historias que fazem parte de uma trilogia.



6 de maio de 2013

Televisão a favor da cidadania



ROGÉRIA GOMES


Que a televisão trata com prioridade o entretenimento não há dúvida, basta uma rápida zapeada para constatar independente do canal, se aberto ou não, mesmo sendo a informação pré-requisito oficial para o funcionamento da TV. O horário e público alvo também não influem, dar ibope é o que importa.

As telenovelas geralmente procuram tratar de temas de interesse social, às vezes como mero pano de fundo, mas há exemplos que acertam o alvo abrindo espaço para a discussão, reflexão e renovando o olhar sobre algum assunto conhecido e não comentado abertamente. No caso da novela ‘Salve Jorge’ exibida pela rede Globo o assunto principal é um dos crimes mais cruéis: o tráfico de pessoas para exploração sexual. Um crime perverso e considerado invisível, já que as denúncias efetivas são muito inferiores à realidade.

Apesar das ações do governo o quantitativo de mulheres traficadas é absurdamente alto e o resultado no combate a este crime ainda é muito tímido.

No Brasil a estatística é assustadora: entre 2005 e 2011, 337 mulheres foram vitimadas para exploração sexual, levadas para Espanha, Holanda e Suriname, países de preferência das quadrilhas, conforme dados publicados no Jornal 'O Globo'. O apelo comum é um ótimo e sedutor negócio, emprego rápido e fartura financeira em curto prazo, o que atrai preferencialmente pessoas cujo perfil é a baixa escolaridade e que vivem em dificuldades financeiras e estruturais. Descoberta a real atividade para qual foram ‘convidadas’ ficam as vítimas de pés e mãos atados e para reverter à situação é preciso quase um milagre. Esta novela, portanto, independente de juízo de valor, presta-nos um excelente serviço mostrando de forma clara o agir das quadrilhas que operam no tráfico humano e as atuações extremamente danosas às vitimas e suas famílias. O quadro é lamentável e muito triste, mas a boa notícia é o recente pacote apresentado pelo Governo Federal com 115 metas contra o tráfico internacional de pessoas, que reúne entre outras medidas a punição mais severa as pessoas envolvidas neste tipo de crime além da presença mais atuante das Forças Armadas nas fronteiras. Medidas possivelmente aceleradas em razão do que nos mostra a novela, não importa, a questão é urgente e ações mais rigorosas devem ser prioridade.

Sem dúvida a mídia pode e deve colaborar de toda forma possível, esse é o seu papel, especialmente quanto à comunicação de massa por seu alcance incalculável, fortalecendo uma corrente salutar ao país.

Não há bem mais valioso que a informação, com ela podemos mudar o rumo da história, por isso uma vez cônscios devemos denunciar sem medo, auxiliando a combater esta terrível estatística.

Neste caso a televisão apresenta um belo exemplo a ser seguido por outras mídias igualmente importantes nos ajudando a vislumbrar um Brasil de fato e de direito para todos, além do slogan que tão bem conhecemos.

ROGÉRIA GOMES / JORNALISTA E ESCRITORA

Artigo publicado no jornal A Tarde. Salvador, quarta-feira, 10.4.2013. Populares, página 11

29 de março de 2013

Escritor, o guardião do idioma


Além de contar uma boa história, seja triste ou hilária, sua trama cheia de mistério ou evidente, tenha ou não conteúdo histórico, cultural, etc., o escritor tem, entre outras, uma importante responsabilidade: cuidar do idioma.

Revendo alguns dos livros que li – D. Casmurro, de Machado de Assis, Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos, Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa e Laços de Família, de Clarice Lispector –, constatei, agora com o olhar de escritora, o cuidado que estes autores dispensavam à ortografia, à sintaxe e à dimensão conceitual da escrita. 

No entanto, em algumas obras atuais, observa-se uma espécie de relaxamento dos autores no que se refere a estes aspectos. Por exemplo: inserem vírgulas à vontade e em lugares inconvenientes; fazem uso de relações inadequadas entre orações principais e suas complementares; introduzem pleonasmos, cacofonias e redundâncias sem qualquer objetivo literário. Àqueles de olhar mais apurado, muitos desses erros soam como pedradas. 

Alguns escritores consideram que sua função se restringe a escrever. Mas isso implica em esperar do revisor, se contratado, uma tarefa às vezes impossível: fazer a correção sem alterar a ideia intencionada, a despeito dos erros, mesmo que estes dificultem a compreensão dos trechos nos quais se encontram. É importante lembrar que todo autor tem pelo menos o objetivo de manifestar suas ideias de acordo com o que apreende da realidade tangível ou intangível. Se ele entregar a um revisor um texto cuja clareza foi prejudicada devido à má qualidade da escrita, corre o risco de publicar o avesso do que pretendia. 

Estes, porém, são os menores dos prejuízos, o maior é oferecer uma leitura que ajudará no empobrecimento do idioma, consequentemente no empobrecimento da capacidade de o leitor pensar e expressar seus pensamentos e sentimentos. Ora, quem não se expressa não dialoga com o mundo, quem não pensa não consegue fazer juízo de valores. Então como tais pessoas conseguirão compreender o que são direitos e deveres? E, se não lograrem um mínimo desta compreensão, o que ocorrerá com a sociedade em que vivem? No que concerne a isto há muito a conjeturar, mas considerando apenas o que foi analisado podemos concluir: o empobrecimento do idioma contribui para dificultar a aquisição de valores necessários à condição de cidadania. 

Portanto nós, escritores, temos somente duas opções: ou desenvolvemos a habilidade no uso da linguagem, de modo a assumirmos, como nos for possível, o papel de guardiões do nosso idioma; ou desprezamos esta habilidade, mas sabendo que estaremos atuando como agentes de destruição deste idioma e que seremos os responsáveis pelas consequências disso. 


Morgana Gazel, autora de romances, poemas e contos.

22 de fevereiro de 2013

EM NOME DE DEUS

Artigo de Rogéria Gomes, publicado no jornal A Tarde, em 07/02/2013. Vejam o que ela diz:


Desde que o homem deu conta de si, a vaidade e a ganância estão entre as predileções humanas, invadindo a passos galopantes o mundo dito civilizado.  Basta dar uma olhadinha na História. É assim mundo afora e em nosso quintal, na terra brazilis que tudo frutifica a coisa não é diferente e no campo chamado religioso frutifica a cem por um.
Em nome de Deus mata-se, corrompe-se, frauda-se, engana-se, faz-se o que se bem entende do jeito mais conveniente a quem o faz.
É bem verdade que só há o enganador por permissão ou tolerância do enganado, no entanto o que se vê é uma realidade deprimente, sofrível, assustadora e muito longe da verdade creditada ao autor.   Não só é lamentável como escandalizador assistir homens que se dizem ‘pastores’ acumularem verdadeiras fortunas além de benefícios incompatíveis ao oficio que dizem exercer. É o que temos visto com pesar e muita freqüência, em publicações e noticiários diversos e recentes.  Qualquer sacerdócio por essência deve ser exercido por pessoas cuja conduta seja digna do mesmo, sendo exemplo em primeiro plano. No caso evangélico significa nada mais que promulgar a salvação do homem sem qualquer custo, pagamento, indulgência ou algo similar. O céu não tem preço, não está e nunca esteve a venda.  Não importa o credo, qualquer sacerdócio deve honrar sua titularidade.
O vetor apresentado por algumas igrejas ‘evangélicas’ mostra certo desequilíbrio em suas pregações, focando exclusivamente na prosperidade, neste caso deixa de ser Deus o sujeito da ação, tornando-se servo e não Senhor. Seria este o evangelho legítimo?
Não se tem noticia de que qualquer apóstolo, seguidor dos passos de Jesus, se tenha tornado rico, quiçá milionário, aliás, o exemplo maior vem do próprio Cristo que segundo a bíblia ‘ não tinha onde repousar a cabeça’ e cuja dedicação foi valorizar pessoas, em especial as excluídas.  Mais uma vez na História o homem quer valer-se de Deus para ser maior e melhor que o próprio, acima de princípios e conceitos do bem e mal. Não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo, eis a questão. A quem servem? O tempo se encarregará de mostrar, mas ao saber dos desvios devemos denunciá-los, sim! Ficamos também com a certeza consoladora de que contra fatos não há argumentos, quem viver verá o gran finale, para bem de todos e felicidade geral, em nome de Deus.

Rogéria Gomes / Jornalista e escritora
Autora do livro As Grandes Damas
Contato: grandesdamas@hotmail.com